sábado, 19 de outubro de 2013

e aí a memória amarelou

te abraço
forte
procurando
e me
fazendo
achar

e a cor muda

a volta da
borda meio
sem traço
sem cheiro
e do sexo
distraído
no atacado

não sei quando foi
...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013


decantada
eu
de vocação
ardida e
torpe como
um jazz
antigo
num arrepio
de nuca
obsceno
me desfaço
só
e me
derramo
débil
e
assoalhada
ridícula e
torta de
não me saber
mais.



terça-feira, 9 de julho de 2013


craquelada.
pelos coitados e
curtos.
nua. gasta.
carcomida de eu.

quando foi
que parei
de
fazer isso?
ir.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

estive por
aí rasgada e
suja
desleixando o
meu apego
pelo bem
pelo vem
pelo quem
botando
preço no
meu mal
vomitando
estrelas e
purpurinas
carregadas no
sal
...
observo agora
a ressaca dos meus
olhos vermelhos
e espero
quieta esse
enjôo
passar
.
Catarina desce as escadas com pressa. O metrô está vazio e ela aguarda
inquieta a chegada do trem. Na espera, mexe na bolsa e procura um chiclete que
não acha.
Ao levantar os olhos se depara com Bernardo na outra plataforma.
Provavelmente, ele já a tinha visto há algum tempo, pois sua expressão é já
estabelecida,embora ela não a consiga identificar, decifrar.
Suas emoções, as de Catarina,variam muito em poucos segundos.
Fazia tempo que não o via e da última vez que se falaram ,que se
escreveram, a comunicação havia sido distanciada,formal e triste.
A aparição dele não a faz contente, nem infeliz. Acho que não espera nada além de um
aceno de mão cumpridor de uma boa e básica educação.
Pois, está se preparando pra retribuir o gesto quando o trem dele chega e ao partir
faz desaparecer Bernardo.
Enfim. É isso.
Afinal, nem o aceno, como era mesmo ,mais compatível com o desenrolar dessa (não)
relação deles até agora.
Catarina volta para o buraco sem fundo que é a sua bolsa em busca do chiclete.
Não acha.
Desiste.

quarta-feira, 1 de maio de 2013


bolha bolha bolha
aqui de dentro
[não se espante]
tão flutuante
e colorida
mas
estimando
é só um instante
...

sexta-feira, 1 de março de 2013


pra quando
a minha boca toda
formigar
e um suspiro
afogado reclamar
de ponta a
ponta
todo o contorno
e os olhos bêbados
forjarem
uma áurea prisma
e o corpo receio
pausar.
(isso é filme...)
.
será?
há de se pensar
.
as coisas
não serào
(sào)
.
há de se
afastar
pra
atualizar
.