domingo, 19 de dezembro de 2010

eu que fiz.

fui eu que inventei

essa pinta
fui eu que risquei

esse sorriso
desse jeito
quem sorriu
fui eu
e colei aqui

esse olhar
só meu
só pra mim
tão seu
fui eu que quis

esse cheiro que
não me sai da
lembrança
fui eu que
derramei

esse toque
quem não esquece
sou eu
mas
talvez
ele seja
mais meu
do que seu
fui eu que senti

esse beijo
esse sexo
eu desenhei
frame a frame
fui eu que colori

a sua boca
toda ela
eu esculpi
e o texto
que saiu dela
fui eu que escrevi

a história fui eu
só eu que vivi

e o que eu criei
foi você assim
e eu menti
.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

e o quanto e o tanto

e o quanto e o tanto
que isso tudo não
faz sentido nem
diferença e o quanto
o que é pouco ou menos
tem importância eu
quero parar e só olhar
sem culpa desistir
sem receio estacionar
sem medo me deixar só
assistir e chorar sem motivo
mesmo tendo tantos
mesmo que todos os tantos
não motivos sejam assim
imbecis e mediocres quero mandar
você calar a merda dessa boca
espumar histérica e mimada suar
até ficar quente e vermelha
e novamente me sentir viva...
pro inferno com essa porra!!!!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

você vem?

por aqui...?!
nada por aqui...
a vontade estava ali...
aí...
e eu disse : e se...
nada...
nada por aqui...
e aí?!
o que esteve por aí?!
e se... eu ...aí...?
eu te convido...
eu vou...
eu havia cedido...
nada...
por aqui?!
nada...
eu acredito...
eu admito...
eu insisto...
você vem...?!
quem esteve por aí...?!
aí...eu...e se...?!
hum...
eu espero...
nada...
nada...
mesmo...
por enquanto...
por aqui...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

eu não te enxergo
eu imagino o teu contorno
eu fantasio as tuas cores
e numa morte prenunciada
eu arrisco o meu palpite.

o encantador de serpentes

tudo é poesia
poesia é tudo
inclusive
lacuna
.
o poeta é
um preguiçoso
um sádico
um sacana
que deixa ao
encargo de
quem lê o
angustiante
preenchimento do
sentido
.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

inconsistências

ela entra.
ele está.
ela fala:
-
e, agora, é que se sente.
e é aí que a gente mente.
a sua sensibilidade é tirana.
me ama, eu sei...
mas, me engana
pois emana um cheiro que não é
só meu...
profana.
é um grande seu do qual eu
só faço parte...só faço parte...
um pedacinho dessa arte que já é sua.
-
ele olha.
ela pede:
-
não me enlouquece.
você não vai me convencer...
esquece.
você nasceu,agora, junto desse pôr do sol...
-
ela sai.
ele fica.
ele fica.
ele fica.
...

domingo, 31 de outubro de 2010

é coisa louca
que desamarra
as minhas
costuras
que adoça além
os meus cafés
ou qualquer
outro tipo de
desculpa
um intervalo
um acidente
uma piscada mais
lenta e eu
desatenta me
preocupo se vai
chover ou
não.