da calçada vejo
os que passam em
velocidade no centro
curiosa do
acontecimento de
dentro das
suas
janelas escuras
uma garra afiada me
tenta
alcançar os olhos
me arranha
somente o
queixo
sonho que uma
cobra me
morde a bochecha
a temperatura
é
azul
aqui
um sorriso enorme
que tem marca e
deixa pra ser
a banda de
peito
faz música
aqui dentro
e vez ou outra
desvia e
é intervalo
a dor devagarinho
de maré mansa
e fim de tarde
de cor bonita
e muitas
o meu corpo
inteiro
suspeita
do bom de
daqui a
pouco
eu tô aqui
hora quase inteira
hora tão pedaço
num outro formato
hora paisagem
hora parede
eu tô aqui
hora nem sei
hora certeza
e aí a memória amarelou
te abraço
forte
procurando
e me
fazendo
achar
e a cor muda
a volta da
borda meio
sem traço
sem cheiro
e do sexo
distraído
no atacado
não sei quando foi
...
decantada
eu
de vocação
ardida e
torpe como
um jazz
antigo
num arrepio
de nuca
obsceno
me desfaço
só
e me
derramo
débil
e
assoalhada
ridícula e
torta de
não me saber
mais.
craquelada.
pelos coitados e
curtos.
nua. gasta.
carcomida de eu.
quando foi
que parei
de
fazer isso?
ir.
estive por
aí rasgada e
suja
desleixando o
meu apego
pelo bem
pelo vem
pelo quem
botando
preço no
meu mal
vomitando
estrelas e
purpurinas
carregadas no
sal
...
observo agora
a ressaca dos meus
olhos vermelhos
e espero
quieta esse
enjôo
passar
.